segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Mais de ti.

Eu odeio-te tanto... Odeio-te por me teres deixado, odeio-te por não me teres dado a oportunidade de te fazer ver que irias gostar de mim, que me irias querer. Por não me dares a oportunidade de eu crescer contigo ao meu lado. Porque, eu sei lá, mas não entendo como uma mãe é capaz de fazer aquilo que tu me fizeste. Não consigo entender como é possível ser-se tão egoísta, tão má...
E por mais que eu escreva, por mais que eu desabafe, cada vez que me lembro de que tu existes só sinto raiva, ódio, nojo! Porque por mais que eu tente entender, e acredita que tento muito, eu não consigo, não consigo entender como alguém consegue abandonar um ser indefeso. E quantos mais anos passam, mais eu fico com dúvidas. Mais eu fico na incerteza do significado da palavra "mãe". Porque apesar de ter tido alguém que fez esse papel, nunca soube nem nunca saberei o que é ter uma mãe de verdade. Eu acho que deve ser um sentimento único.
E tu destruíste a minha vida mesmo nunca tendo feito parte dela. Roubaste-me a oportunidade de ter uma mãe e com isso, roubaste-me também a oportunidade de ter um pai, porque acabaste por o destruir também.
Tu roubaste-me todas as possibilidades, mas mesmo sem ti eu sou o que sou hoje e consegui tornar-me alguém nesta vida injusta e infeliz.
E sinto raiva de mim ao mesmo tempo, por não conseguir parar de escrever por e "para ti", por não conseguir tirar-te do meu pensamento, por não conseguir tirar-te das minhas letras.
Todos os dias vejo mães e filhas e imagino como seria se eu tivesse tido essa oportunidade, se eu te tivesse a cuidar de mim cada dia da minha vida. Mas tu não me deste isso, não quiseste saber. O pior de tudo é que continuas a não querer saber, eu sinto isso.
Preferia nunca ter ouvido falar de ti, que fizessem como nas novelas e que quem me criou me omitisse que tu és a minha verdadeira mãe. Sabes porquê? Porque dói, dói bem cá dentro, saber que tu existes mas que não me queres. Dói saber que me deixaste ao abandono, pronta para ficar sozinha neste mundo. Dói saber que tu existes. Dói ter a tua morada há imenso tempo mas não conseguir ganhar coragem para te ir bater à porta e dizer: "Olá, consegues reconhecer-me?", o que não seria difícil, reconheceres-me, pois eu sou a tua cara chapada.
Sabes o que me dói mais? É odiar-te mas lá no fundo sentir que te amo. Isso é estúpido, isso é cruel demais. Mas um dia eu vou ter coragem de te olhar nos olhos e perguntar: "Porquê?", só não sei quando vou ser capaz de o fazer.
Só não sei se mereces sequer que eu tente. Não sei se mereces que me humilhe perante ti, que me sujeite a mais um "NÃO" teu.
Eu não escrevo estas coisas para agradar ninguém, escrevo porque preciso, porque me faz bem. Embora tu não mereças sequer que eu perca o meu tempo contigo.
Até breve, talvez.

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