segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Mais de ti.

Eu odeio-te tanto... Odeio-te por me teres deixado, odeio-te por não me teres dado a oportunidade de te fazer ver que irias gostar de mim, que me irias querer. Por não me dares a oportunidade de eu crescer contigo ao meu lado. Porque, eu sei lá, mas não entendo como uma mãe é capaz de fazer aquilo que tu me fizeste. Não consigo entender como é possível ser-se tão egoísta, tão má...
E por mais que eu escreva, por mais que eu desabafe, cada vez que me lembro de que tu existes só sinto raiva, ódio, nojo! Porque por mais que eu tente entender, e acredita que tento muito, eu não consigo, não consigo entender como alguém consegue abandonar um ser indefeso. E quantos mais anos passam, mais eu fico com dúvidas. Mais eu fico na incerteza do significado da palavra "mãe". Porque apesar de ter tido alguém que fez esse papel, nunca soube nem nunca saberei o que é ter uma mãe de verdade. Eu acho que deve ser um sentimento único.
E tu destruíste a minha vida mesmo nunca tendo feito parte dela. Roubaste-me a oportunidade de ter uma mãe e com isso, roubaste-me também a oportunidade de ter um pai, porque acabaste por o destruir também.
Tu roubaste-me todas as possibilidades, mas mesmo sem ti eu sou o que sou hoje e consegui tornar-me alguém nesta vida injusta e infeliz.
E sinto raiva de mim ao mesmo tempo, por não conseguir parar de escrever por e "para ti", por não conseguir tirar-te do meu pensamento, por não conseguir tirar-te das minhas letras.
Todos os dias vejo mães e filhas e imagino como seria se eu tivesse tido essa oportunidade, se eu te tivesse a cuidar de mim cada dia da minha vida. Mas tu não me deste isso, não quiseste saber. O pior de tudo é que continuas a não querer saber, eu sinto isso.
Preferia nunca ter ouvido falar de ti, que fizessem como nas novelas e que quem me criou me omitisse que tu és a minha verdadeira mãe. Sabes porquê? Porque dói, dói bem cá dentro, saber que tu existes mas que não me queres. Dói saber que me deixaste ao abandono, pronta para ficar sozinha neste mundo. Dói saber que tu existes. Dói ter a tua morada há imenso tempo mas não conseguir ganhar coragem para te ir bater à porta e dizer: "Olá, consegues reconhecer-me?", o que não seria difícil, reconheceres-me, pois eu sou a tua cara chapada.
Sabes o que me dói mais? É odiar-te mas lá no fundo sentir que te amo. Isso é estúpido, isso é cruel demais. Mas um dia eu vou ter coragem de te olhar nos olhos e perguntar: "Porquê?", só não sei quando vou ser capaz de o fazer.
Só não sei se mereces sequer que eu tente. Não sei se mereces que me humilhe perante ti, que me sujeite a mais um "NÃO" teu.
Eu não escrevo estas coisas para agradar ninguém, escrevo porque preciso, porque me faz bem. Embora tu não mereças sequer que eu perca o meu tempo contigo.
Até breve, talvez.

sábado, 17 de setembro de 2016

Só pensamentos.

É incrível como alguém foge da nossa vida tão repentinamente, é realmente incrível.
E mais incrível é como tudo se desfaz e faz de novo, sem sequer nos apercebermos. Sem sequer repararmos que estamos dispostos a sentir tudo outra vez, a reviver tudo outra vez mas de uma forma completamente diferente. Porque nem sempre tudo tem que ser mau... As coisas fazem-nos crescer, fazem-nos acreditar ou não, fazem-nos abrir os olhos, fazem-nos acordar, adormecer e acordar de novo. Estranho é como tudo acontece, como todas as pequenas coisas se tornam grandes, como as pessoas se tornam especiais à sua maneira, do seu jeito, de forma extraordinária.
Às vezes nós não nos apercebemos de quem nos faz mal e de quem nos faz realmente bem, do quanto nos iludimos com uns e nos superamos com outros. A vida é uma roleta russa da qual eu tenho medo de cair. Até os mais fortes por vezes se desmoronam e se deixam despedaçar em pequenos pedacinhos. Porque nem tudo é perfeito, porque o perfeito, esse, é inalcánçavel.
Temos que aprender a viver com o que a vida nos ofereceu e não reclamar disso. Temos que ser fortes, mas nem sempre é possível. Nem sempre somos feitos de ferro, nem sempre somos pessoas sem sentimentos, sem sonhos, sem perspectivas de futuro. E é triste, é triste porque por vezes deixamos de acreditar. E o pior disso tudo é que deixamos de acreditar quando mais o devemos fazer.

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Voltas.

Bem, desde a última vez que aqui escrevi, a minha vida deu uma volta de 180º.
A pessoa que eu amava desiludiu-me de uma forma que eu nunca pensei ser possível. Abandonou-me sem uma explicação plausível quando eu mais precisava que ela ficasse e me apoiasse. Ela desistiu de mim, desistiu de nós. Mas... Talvez tenha sido melhor assim, embora eu tenha sofrido e tenha ficado um autêntico caco. Porque, realmente senti-me mal, senti-me uma merda de pessoa, senti-me no abismo. Senti que não merecia, que era errado, que... Sei lá. Eu ponho-me a pensar e ainda custa mas não tanto... Custa mais pela forma como ela o fez: Do nada, dando várias explicações diferentes, sem nunca falar na verdadeira razão. E sentir que ela estava a mentir, custou ainda mais. Ela ter "partido" daquela forma tão fria e cruel... Mas, talvez eu esteja melhor sem ela mesmo. Porque ela não merece a pessoa que eu sempre fui para ela, não merece o esforço, a dedicação, o quanto eu lutei, o quanto eu a amei, o quanto eu aguentei por ela... E digo amei sim, porque eu já não a amo, sinto que já não a amo. Passou pouco mais de um mês e eu só consigo sentir ódio e raiva de cada vez que me lembro dela. Foi o melhor que me aconteceu na vida até hoje, mas também o pior. Tenho pena, porque, foi bom o que vivemos, mas este sofrimento final fez-me desaparecer de mim e do mundo durante uns tempos, deixei de ser eu, deixei de sorrir, deixei de brincar, deixei de querer viver. Graças a Deus, consegui reerguer-me, ainda ferida, mas estou de pé. Não mereces nada de mim, nem sorrisos, nem carinhos, nem lágrimas, nem sofrimento, NADA! E vou ficar-me por aqui mesmo, porque só de te lembrar, dá-me um ódio inexplicável! Será a última vez que escrevo sobre ti e... Já escrevi demais, durante estes 3 anos de namoro que para ti não significaram absolutamente nada, aparentemente.
Isto é um ADEUS! Porque... CHEGA! Não vou cair nos teus braços de novo, por mais que queiras. Estou melhor sem ti, embora tenha pensado que não.
Não te amo, ainda sinto algo por ti, mas não é amor, e para além desse algo que nem sei definir, sinto raiva e ódio! Não me mereces, e eu mereço alguém bem melhor do que tu. Apesar de tudo... Sê feliz, se conseguires. E podes vir atrás de mim quantas vezes quiseres, porque eu agora estou firme o suficiente para te dizer NÃO!
Tenho alguém que mesmo não querendo nada mais "além comigo", me faz feliz, do jeito dela.
Adeus Soraia!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Obrigada MÃE!



Apetece-me escrever, mesmo sem ter algo em concreto para dizer mas sei que fluirá entretanto… Amanhã, dia 27 de Maio de 2016, dois dias após o meu aniversário, faz 8 anos, sim OITO anos, que a minha rainha partiu para outro mundo. Durante estes 8 anos, houve tristezas e alegrias, ganhos e perdas, sorrisos e lágrimas, houve de tudo, menos uma coisa: TU! Sim, tu, tia, embora não leias isto, eu gosto de escrever como se fosse para ti, podem chamar de ridículo, estúpido, o que quiserem, não me interessa, mas eu gosto de o fazer. Faltas-me cá tu e contigo os teus sorrisos, os teus abraços, os teus beijinhos, os teus miminhos, as tuas palavras, a tua força, a tua boa vontade, os nossos passeios, as nossas gargalhadas, os nossos lanches cheios de batatas fritas, coca-colas, aquelas orelhas de porco que tu tão bem sabias fazer como petisco, aquela cervejinha que bebias às vezes e quando eu te apanhava de costas ia dar um “golinho” e tu olhavas para mim a sorrir do género “eu sei o que fizeste sua malandra”… Estes, e muitos outros momentos que passámos juntas são momentos que eu nunca vou conseguir reviver com mais ninguém, por mais tempo que eu viva. Passaram 8 anos, já devia não me afectar tanto, mas afecta-me como se tivesse sido ontem. Porque tu para mim nunca foste apenas só uma tia, o meu amor por ti foi e vai muito além disso, tu és a minha verdadeira mãe… Não me perguntem porquê, mas é o que sinto, é o que o meu coração quis e quer. E ele sente falta de ti, de tudo o que vivemos juntas, de todas as vezes em que, eu mesmo sendo super dorminhoca, te pedia para me acordares cedo só para eu poder ir contigo para todo o lado que tu fosses e ajudar-te em tudo o que fosse preciso. Até sinto falta daquela vez em que eu fui à casa banho e estava lá uma barata e eu fugi a correr e fui acordar-te a pedir-te ajuda… Sinto falta de estarmos todos juntos às tantas da madrugada para comermos pão quentinho acabado de sair da padaria, sinto falta de estarmos as duas sentadas no sofá a ver as novelas até o meu pai chegar do trabalho para irmos a Belém ao McDonald's ou ao Pão Pão Queijo Queijo… Sinto falta daquelas noites em que já estavam todos a dormir e nós aborrecidas resolvíamos ir a pé até Belém até ao café ou simplesmente passear naqueles jardins e conversar sobre tudo. Sinto falta de quando eu fiquei “uma mulherzinha” como tu dizias e eras tu quem estava presente para me tirar todas as dúvidas e ajudar naquilo que fosse preciso, sinto falta das nossas idas à praia, só as duas, a pé… Sinto falta das nossas idas ao supermercado, sinto falta de quando lá ias e eu ia à janela dar um grito “rapazinho, trás-me uma ferradura das de chocolate” ou “rapazinho espera aí, eu vou contigo” e descia as escadas a correr para ir… Sinto falta de quando eu tinha que voltar com a avó para a terra e chorava no comboio para ficar contigo e numa dessas vezes fiquei mesmo… Sinto falta de ti, de nós! 

Numa das nossas noites, sempre a sorrir :)


Num dos meus aniversários :)








 Sempre que chega o meu aniversário, só me consigo lembrar ainda mais de ti, eras sempre tu a primeira a dar-me os parabéns, eras sempre tu a primeira a ligar… Sinto tanta falta disso… E no natal, lembras-te? Acordávamos bem cedo de manhã para ir comprar todas as coisas para aquela época e eu adorava ir contigo sempre! 
Ainda me lembro também daquelas vezes que íamos a Algés e eu te chateava sempre para me comprares uma carteira daquelas do Benfica igual à que o Diogo tinha e quando finalmente a podias comprar o senhor já não tinha e tu ficaste mesmo triste e até me pediste desculpa por não teres conseguido comprar antes… Tu eras mesmo essa pessoa, cheia de sentimentos bons, sempre tentaste dar-me tudo e sempre deste o mais importante: O teu Amor! Obrigada por isso, obrigada por tudo o que fizeste por mim, obrigada por sempre teres lutado por mim, por todas as gargalhadas, por todas as lágrimas de alegria, por todas as idas comigo ao médico, por toda esta nostalgia que me causas, obrigada por nunca me teres abandonado, e principalmente obrigada por sempre me teres protegido e amado! Obrigada também por sempre me teres tratado como se eu fosse tua filha também. Obrigada por, juntamente com a avó, fazeres de mim a pessoa maravilhosa que sou hoje! Nem mil obrigados serão capazes de agradecer tudo aquilo que fizeste por mim.
Eu amo-te, sabes? E cada vez que o digo só choro, porque tu não merecias aquilo que te aconteceu, não merecias ter partido tão cedo, não merecias ter sofrido tudo o que sofreste, porque tu eras uma pessoa magnífica, eras uma mãe estupenda, eras um ser humano inigualável! Eu peço tanto a Deus para que te traga de volta, de alguma forma, e isto é egoísta, eu sei, mas só queria nem que fosse mais um minuto contigo, para te poder abraçar e dizer que te amo… Só queria poder ter-te junto a mim, sempre! Eu não merecia ficar sem ti, sem a avó…
Quando eu digo a alguém que perdi uma tia há tantos anos, as pessoas só sabem dizer-me que vai passar, que a dor vai desaparecer, mas não vai, e eu não quero que desapareça, porque isso para mim significaria esquecer-te, e eu não quero esquecer-te, nem nunca o irei fazer!
Tu sabias sempre o que dizer nos momentos de tristeza, sabias sempre como me ajudar no que quer que fosse, tinhas sempre as palavras certas a dizer, o gesto certo a fazer. Tu tinhas uma capacidade do outro mundo para entender e ajudar o próximo, eras incrível! E as pessoas a quem eu digo que te perdi, pensam que por seres uma tia, que não eras tão importante como uma mãe, por exemplo. Mas eras e continuas a ser, porque tu sim, és a minha verdadeira mãe, foi sempre esse o sentimento que tive em relação a ti, desde que me lembro de existir. Mesmos passados 8 anos, o sofrimento para mim continua a ser o mesmo, a vontade de te querer junto a mim continua a ser a mesma, a dor continua a não desaparecer e parece ser cada vez mais forte. O pensamento de que foi injusto, continua na minha cabeça. Tinhas tanto por viver, tanto por me ensinar, tanto por me mostrar, tanto para me fazer crescer mais e mais… Tinhas tudo para eu continuar a amar-te como amo e tinhas tudo para ser feliz!
Fiz 22 anos, já viste? Mas dava tudo para ter os meus 10/11 anos de novo para poder ter-te aqui. Parece que ainda ontem tinha uns 12 anos, que era inocente, que saudades de ser inocente e não ter preocupações. Se estivesses aqui sei que dirias que estou grande, que o tempo passou tão rápido, que estou uma mulher e cresci muito… Sabes qual seria a minha resposta? Seria: “Pois estou uma mulher, pois cresci, e graças a ti, foste tu quem me criou, foste tu que me ensinaste tudo o que sei hoje, foste tu que me fizeste crescer feliz apesar de todos os contras para tal, foste tu que fizeste de mim a pessoa que sou hoje, foi graças ao teu amor! Obrigada por isso e por tudo!”, e sei que onde quer que tu estejas saberás o que eu sinto e penso em relação a ti e o quanto agradeço por tudo o que fizeste por mim, tia. Eu sinto que nunca vou conseguir ultrapassar isto, sinto que nunca vou conseguir não te relembrar e desatar a chorar, sinto que vou sempre sentir que me falta algo, que me faltas tu! Nunca pensei que o ser-humano fosse capaz de sentir este amor todo por alguém, este querer, esta saudade… Espero reencontrar-te um dia, sei que vou reencontrar-te um dia. E aí, poderemos voltar a fazer tudo o que fazíamos, vezes e vezes sem conta, e com a avó e o avô! Agora tenho três estrelinhas a olhar por mim, tenho três anjinhos a cuidar de mim para onde quer que eu vá, tenho 3 anjinhos a guiar o meu caminho e ajudar-me em todas as decisões que eu tiver que tomar na minha vida! Vou sempre olhar para o céu, como faço, e pensar “Amo-vos! Eu sei que estão aí a olhar por mim!”, vou sempre sentir a vossa falta, vou sempre ter saudades vossas! Um dia, vamos poder sorrir novamente juntas… Um dia, vamos poder ficar juntas para toda a eternidade… Um dia, eu vou poder ser 100% feliz. Obrigada por tudo aquilo que fizeste por mim e por tudo aquilo, que mesmo daí de cima, irás fazer durante toda a minha vida, obrigada por me amares, obrigada por cuidares de mim, obrigada por me fazeres amar-te cada dia mais, obrigada por seres A MINHA MÃE! Ficarão sempre coisas por dizer e escrever.
AMO-TE, ONDE QUER QUE TU ESTEJAS! OBRIGADA MÃE!

sábado, 30 de abril de 2016

Odeio-te mas sinto que te amo.

Esta é a carta que já devia ter-te escrito.
Antes de mais, olá mãe. Será que sabes quem sou? Depois de veres o meu nome, já chegas lá.
Sim, sou eu, aquela filha que tu há sensivelmente 22 anos abandonaste, aquela criança indefesa que tu beliscavas quando chorava, aquela a quem tu davas banho de água fria porque simplesmente te dava prazer magoar-me. Aquela a quem tu ainda davas pastéis de nata e me despachavas, em pequena (não cresci muito fisicamente até) naquele café onde trabalhavas em Belém… Sim, dos pastéis eu lembro-me bem, não é à toa que sou gulosa e adoro doces, talvez até saia a ti nesse aspeto. Acho que essa é a única parte da minha memória em que me lembro de ti, de forma clara. Já falamos mais de mim...
Sabes o meu pai? Depois de o deixares ele desmoronou, aos poucos, mas desmoronou, por completo, até hoje. E com ele, desmoronei eu também, com o passar do tempo cada vez mais. Mas estamos a falar nele… Sabes no CACO em que ele se tornou durante estes anos todos? Ele desistiu da vida, desistiu dele e desistiu de mim. Hoje em dia ele não passa sem a bebida, tem várias doenças graves, está magro como um palito, não tem auto-estima, não trata de si mesmo, nem sequer já sorri. E a culpa é tua, tu deixaste-o, e com isso deixaste-me também a mim, ABANDONASTE-ME. Fizeste com que eu crescesse sem uma mãe, de sangue. Fizeste-me crescer sem ter alguém a quem eu pudesse dar a prenda do dia da mãe, ou simplesmente um beijo quando chegasse a casa. Deixaste-me sem ter alguém a quem recorrer quando tinha problemas de amor, amizade ou simplesmente problemas da escola, para desabafar. Fizeste-me crescer sem ter o amor de mãe que qualquer criança necessita para crescer e ser alguém um dia.
Voltando um pouco atrás no tempo, lembraste tia…? E da minha avó…? Lembraste delas? Provavelmente talvez até não... Mas eu lembro-me, bem. Sabes porquê? Porque foram elas quem desempenharam o papel que tu devias ter desempenhado, na minha vida. E sabes o mais irónico disto tudo? Já estou sem as duas na minha vida… E tu deves continuar por aí, na tua boa vida, sem mim. Foram elas que me educaram, foram elas que cuidaram de mim, foram elas que me vestiram, que me calçaram, que me alimentaram, foram elas que me deram amor, foram elas que fizeram tudo por mim, foram elas que FIZERAM DE MIM AQUILO QUE SOU HOJE! São elas que me fazem falta e eram elas que me faziam feliz. Nunca na vida eu vou conseguir-lhes agradecer tudo aquilo que fizeram por mim! Só queria poder tê-las aqui, junto a mim. A minha tia, faleceu há quase 8 anos e a minha avó, faleceu há duas semanas atrás. 
Falando novamente de mim… Sabes que eu cresci? Tenho quase 22 anos (se é que ainda te lembras da minha data de nascimento), estudei, tirei dois cursos, um profissional e um técnico. Neste momento trabalho, não na minha área, mas num Jardim de Infância. Irónico, não é? Trabalho com crianças, aquelas que tu preferes abandonar em vez de amar.
Dizem que eu “sou a tua cara chapada”, não sei se é verdade, mas presumo que sim, já que imensas pessoas que te conheceram me dizem o mesmo. Há quem me fale mal de ti, há quem me diga para repensar e ouvir-te. Mas… Lembraste quando eu tinha 16 anos? Foi mais ao menos na altura que recebeste uma carta do tribunal a dar conta de que estavas notificada para comparecer, em vídeo conferência, para seres ouvida em tribunal, porque a minha avó tinha pedido a pensão de alimentos. Lembraste agora, certo? Pronto… Lembraste também que nessa altura disseste na cara do juiz que não me querias conhecer… Certo? Nem sequer tentaste procurar-me. Nem nessa altura, nem nunca. Em quase 22 anos, eu nunca recebi uma tentativa tua de contacto. Porquê? Porque me abandonaste? Porque nunca me procuraste? Porque desapareceste do nada? Porque nunca te preocupaste em conhecer-me? Porque me deixaste crescer sem ti? Porque me afastaste da minha irmã e dos meus irmãos? Porque fizeste com que eu não os tenha conhecido? Porque me fizeste isto? Porquê?!



 A minha tia e a minha avó, sempre lutaram para eu ter tudo aquilo que necessitava, para me fazerem sorrir, para me fazerem feliz. Mas apesar de todo o esforço (e acredita que foi muito mesmo, durante anos) que fizeram para desempenhar o teu papel, e por mais que eu as ame mais que tudo na minha vida, faltou-me sempre algo, faltou-me sempre alguém. E acabou por me faltar dois alguéns, tu e o pai. Acabou por me faltar o amor dos dois. Porque embora ele não quisesse deixar-me para trás, acabou por deixar. E continua a fazê-lo. E eu sei que nunca mais vai mudar. Sei que nada o irá fazer reerguer-se. Eu acho que ele te vê em mim de certa maneira e por isso continuou sempre a sofrer e se deixou desmoronar. Embora eu queira que ele se reerga, isso nunca vai acontecer. O que me dói mais é que nunca consegui ter aquela “ligação especial” de filha e pai, com ele. O que me dói mais é vê-lo a destruir-se a cada dia que passa, com o tabaco e a bebida. O que me dói mais é que ele vai ser a próxima pessoa que eu vou perder, muito provavelmente. O que me dói mais foi eu ter sido obrigada a crescer, a crescer rápido, por tua causa, por vossa causa. O que me dói mais, por mais estúpido que possa parecer, é não te ter. O que me dói mais é eu querer conhecer-te e ouvir-te, mesmo a minha avó, tia e pai me pedirem para não o fazer! O que me dói mais é o meu pai me dizer que se eu te procurar, será o maior desgosto que eu lhe posso dar. O que me dói mais foi ter perdido as duas mulheres da minha vida, os meus pilares! E embora eu te odeie, também sinto que te amo. Que sentimento estúpido este. Embora eu te queira conhecer, tenho medo de te bater à porta mesmo tendo a tua morada comigo há anos. Tenho medo que me rejeites, nos olhos. Tenho medo que finjas não me reconhecer, medo que não me queiras reconhecer. Estive aí perto, aquando do funeral da minha avó. Mas bater-te à porta? Não fui capaz, nem sei se algum dia serei. 
Ah, mas continuando a falar de mim… Tenho uma paixão declarada por futsal e já joguei federada durante algum tempo. Adoro sorrir e fazer palhaçadas para fazer rir os outros. Gosto de raparigas e tenho a mulher da minha vida ao meu lado, há dois anos e meio. Não me importa se aceitas ou não, nunca me importei que alguém aceitasse, a não ser a minha tia, a minha avó e o meu pai e esses aceitaram. Sou muito dada a mimos, tanto para dar como para receber.
O meu prato preferido é bacalhau à Brás. A minha bebida favorita é Coca-Cola. Sou completamente viciada em McDonald's, em Baguetes do Pão Pão Queijo Queijo e em Pizas da D. Isabel. Adoro doces e coisas que engordam (é, tenho esse defeito só mesmo), adoro tudo o que tenha a ver com tecnologia, mais especialmente informática e computadores (este último é um dos motivos porque esta carta não vai escrita em papel com a minha linda letra). Não consigo passar sem Internet, passo maior parte do tempo que tenho livre, no portátil. Adoro ver séries. Adoro caramelos. Odeio cogumelos e favas. Sou viciada em delicias do mar. Não saio de casa sem o meu telemóvel, é algo que não passo sem também. E não viajo para longe sem o meu menino (o meu portátil). Já disse que sou completamente viciada em McDonald's?!
Sou uma miúda simpática e muito divertida, adoro rir e fazer rir. Não gosto de ver as pessoas tristes e faço sempre algo para as poder animar. Adoro ajudar os outros e sempre que posso faço-o.
O meu sonho sempre foi ser veterinária, desde pequenina (de idade, porque de altura ainda o sou) que sempre quis, mas infelizmente, até agora ainda não tive essa oportunidade. O meu próximo objectivo, mal possa financeiramente, é tirar a carta.
Não sou vingativa nem tão pouco rancorosa, talvez por isso te escrevo esta carta.
Sempre fui boa aluna, chumbei um ano por faltas, talvez por minha estupidez só, não sei. Os professores/formadores sempre me disseram que eu era capaz de mais. Também acho.
Nunca fui de sair à noite, sempre fui muito “certinha”, embora sempre tivesse tido liberdade para o fazer. Já sofri muito para tão pouco tempo de vida, mas sempre tive forças para lutar e ultrapassar, nem sei como. Mas neste momento sinto-me em baixo, sem forças, talvez por isso também, te escreva.
Em termos de saúde estou bem, tirando um problema nas pernas e no coração, por causa daquela cinta que tu usavas quando estavas grávida, lembraste disso? Não sei porque me registaste com o teu nome… Sabes que é horrível ter o teu nome no meu Cartão de Cidadão e ter de dizer que “não existes”? Sabes o quanto é difícil aguentar a pena que as pessoas sentiram e sentem de mim, por não te ter?! Sim, eu sofro, mas não quero que tenham pena de mim!
Odeio que as pessoas me falem na minha mãe e eu ter que dizer que não tenho uma e explicar o inicio da história, porque embora eu diga “não faz mal” falarem disso, faz-me muito mal. Amo o meu trabalho actual, dá-me vida, dá-me ânimo. Só tenho pena que esteja a acabar.
Sabes o teu afilhado? Ele já tem um filhote, com 5 aninhos, e é uma das pessoas que mais amo nesta vida! É o meu “pilinhas”!
Quanto a mim não há muito mais a dizer. A não ser que não merecia o que tu me fizeste, não merecia que me tivesses deixado, porque embora eu tivesse “aparecido” por acidente, eu não pedi nada disto, eu era inocente.
Há muito mais por dizer, mas estou perdida nas palavras.
Espero que um dia possas amar-me, como devias ter amado há quase 22 anos atrás, espero que percebas o quanto erraste e te arrependas amargamente de me teres abandonado, a mim e à minha irmã. E não, eu nunca me esqueci daquela ida com ela ao jardim zoológico, é a única memória dela que tenho. Infelizmente, dela, eu não sei absolutamente nada a não ser o primeiro nome e o do meio.
Odeio-te, mas sinto que te amo.
Com tudo isto me despeço, por enquanto. Sempre me ficas a conhecer um pouco… Foi também esse o meu objectivo, ao falar sobre mim.

Adeus, até qualquer dia… 

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Um dia estaremos juntas novamente.

Quando as lágrimas se apoderam de nós e não conseguimos vencer a luta e parar, é como se o mundo desaparecesse, como se nada de bom existisse, como se todas as estrelas desaparecessem só por as olhares, é como se nada mais fizesse sentido para nós, é como se o dia deixasse de ter o sol a brilhar... Quando perdemos tudo aquilo que nos faz continuar e viver cada dia como se fosse o último, tudo desaba aos nossos pés. E porra, como é difícil continuar esta caminhada. Como é difícil continuar a sorrir quando o que mais se quer é chorar... Como é difícil viver quando mais se quer é desaparecer. Tia, meu rapazinho, minha mãe, amo-te! Vó, minha velhinha, minha mãe, amo-te! Mulheres da minha vida, porque tiveram que ir tão cedo? Posso ser egoísta, mas porque tiveram que ir quando eu mais queria e precisava que ficassem? A vida é tão irónica e injusta. Quase a fazer 8 anos que partiste tia, e a avó parte também agora... Sempre perto do meu aniversário, é irónico mesmo. Desculpem não ter estado presente no momento em que mais sofriam e tiveram que dizer adeus a este mundo cruel, vocês entendem o porquê. Eu amo-vos, com todas as minhas forças, nunca vos esqueci, nem esquecerei! Vocês eram os meus dois pilares, agora fiquei sem eles, é difícil conseguir manter-me de pé. Porra, como é difícil lembrar e suportar... Obrigada por me terem criado e educado. Se não fossem vocês eu não seria a pessoa que sou e provavelmente nem estaria aqui! Obrigada por nunca me terem abandonado! Nem mil obrigados vão ser suficientes para agradecer tudo o que fizeram por mim! Eu cresci sim, cresci muito, mas graças a vocês! Eu sei que em algum lugar vocês estão juntas e a olhar por mim, sei que vão continuar a proteger-me como fizeram durante toda a minha vida... Um dia estaremos as três, novamente juntas, como estivemos estes anos todos da nossa vida! Um dia eu vou poder ficar com vocês para sempre! "Eu espero que o céu receba as minhas palavras de revolta, não há lágrimas que eu verta que vos possam trazer de volta!"